sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Minha dor é helicóptero, beija-flor
Minha alegria não é mais ir ao Mc'Donalds
Nem soltar pipa da laje
Ou sacanear meus pais
Não vou mais assistir um jogo de futebol, de cartas marcadas, dados viciados
Não choro mais quando morre alguém na novela
Não assisto mais a bíblia
Nem leio o jornal da tv
Não como mais a comida tóxica das indústrias químicas
Não fujo mais de meus preconceitos
Não uso mais calças jeans, apertadas, rasgadas, azuis só pra imitar alguém
Agora faço o que quero
Ando nu porque quero
Salvo a natureza só porque eles não querem
Insisto em que a terra é o centro do universo só de sacanagem
Brinco com granadas pra sentir pavor
Tenho medo do escuro, de cachorro, de pessoas mais inteligentes que eu
De bandido, de abelha
Não sei fazer nada direito
Sou preguiçoso demais pra aceitar que devo trabalhar
E ser mais um imbecil proletário
Que dá a bunda ao patrão
Que vende a alma ao diabo em dez vezes sem juros no carnê de mercadorias do baú
Não aguento levantar sozinho uma cadeira
Claro que fico ofendido quando você me contradiz
E mostra na frente de todo mundo que eu sou um merda
Ou quando você termina o romance comigo
Sinto raiva, te odeio e te amo
Sei que esse poema é chato
Mas você o leu porque quiz
Agora me deixe em paz verme
E leia isso pros seus pais se tiver coragem
Minha vida é mais estranha que um viciado se drogando porque ama a vida
Azeda contradição
Eu rio rio rio rio rio porque não sou feliz

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