Eu preciso arrancar do meu corpo
certas marcas que me afligem
jogar para longe pedaços que não são meus
despedaçar com socos furiosos
com lança-chamas modernos
partes de mim que me despedaçam...
Odiar o nascer do dia
desejar a morte de meus pais
assobiar em braile uma canção qualquer...
preciso me libertar das minhas asas
das fadas verdes e azuis
do ópio do povo
da alienante filosofia
preciso me perder
preciso respirar a minha poesia
e viver pobre e só
cada dia sempre assim
perdido
pra sempre
sem destino
sem laços
preciso de nada mais precisar
esquecer por um segundo tudo que não lembro
adoecer e falecer
andar nu nos meus sonhos
chorando por algo que não virá
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