sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Talvez alguma coisa exagerada

Olho em volta e nada do que vejo é verdadeiro ou válido
E a cada segundo sou atropelado por alguma notícia vazia
E nas igrejas vejo os cegos ateus a rezar
Pra que Deus lhes dê mais e mais e mais...
Gente descrente,
Não sabem o mal que fazem
Implorando sempre, sempre a pedir
Enquanto os que não tem, as imploram atenção, dinheiro, chiclete, amor
Seja na sarjeta, seja no outro lado do balcão, seja num hospital, ou em outra encarnação.
Ninguém liga, e nem eu
Tô muito ocupado na minha santa ignorância
A repetir clichês, dos mais variados, dos mais usados, dos mais estrupados
Estou a ler livros velhos e novos
Tudo a mesma coisa sempre
A maldita rotina dos dementes modernos ou antigos
Dos retardados de saia ou terno
Eterna Babaquice, macaquice, inferno.
Só vejo o amor entre as crianças que brigam
Entre os jovens que andam em ziguezague pelas calçadas molhadas em dias chuvosos
Não creio em mim mesmo
Aí é que peco mais
Em saber ser uma anta, uma putinha de um bar limpo e bem arejado,
Em ler mensagens divinas em muros pichados
Sol, vem ao meu encontrome queima, me arde, me faz morrer
Pra renascer e viver nesse palco cheio de palhaços
Por mais uma vez...
Adoro minha mesquinhez
E minha falta de educação
Não sou diferente de ninguém, e quando o sou, faço apenas por conveniência
Pra aparecer um pouco,
Me mostrar, estufar o peito, como um tolo, um bobo, um imbecil
Dizer coisas sem nexo, sem sexo...
É tô de saco cheio, e sei que preciso quebrar as taças,num brinde de alguma festa importante.
É, Preciso ouvir algo,
Talvez alguma coisa exagerada...

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