Eu não queria te escrever
mas você me forçou
me tirou as opções
invadiu minha alma como sempre faz
e me roubou a vontade própria
o livre-arbítrio
me coagiu a agir assim, a te escrever essas palavras monótonas
vagas, imprevistas, imprescindíveis, contraditórias na sua certeza
e eu como sempre teu escravo mais servil e bobo
mais dominado e maleável
sou teu escravo e tu sabes que a todo momento domina meu punho
e faz dele teu brinquedo
transforma carne, ossos e sangue em mediúnica chatice
e me põe em tal transe, me deixa tal qual numa transa, assim, suado e aflito
num misto de prazer e agonia
felicidade, torpor, gemidos e gritos da alma
numa folha branca
sem conteúdo nem continente americano...
folha em branco tal qual a vida
que aguarda o momento de ser preenchida com futilidades
erros de português
de gramática, sintaxe
erros que porém fazem mais sentido que todo um dicionário frio e perfeccionista
erros que me tornam humano, mas que clichê que sou!
patético e passional
E ainda olho com os olhos arregalados para a pessoa que amo
e ela ali é a única que não percebe, me despreza que sei
em meio a chuva de palavras e futilidades escrevo esse poema
que não tem nada demais
cotidiano e banal
no meio de pessoas cegas e em estado de sono profundo
e sei que sou mais um
é triste saber disso
pelo menos é algo que sei
e me torno então, diferente de alguém?
claro que não
vou lá assistir o noticiário
tomar coca-cola
tomar banho
escovar os dentes
assumir minha posição de soldado, na linha de frente dos palavrões
ser mais um macaco burguês em meio a pessoas tão idiotas quanto eu
que vontade louca de gritar
foda-se tudo isso!!!!!!!!!
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